Estou em um corpo entre tantos corpos by Beatriz Machado

Estou em um corpo entre tantos corpos by Beatriz Machado

Photography and Collage by Beatriz Machado 

Photography and Collage by Beatriz Machado 


I exist in a body within many bodies. I've always had the sensation that it's always more than a cup of coffee. Like all of life. I always thought that is has always been one more body, one more wish, one more want. These are my quotidian boleros. In my passport for the world, it says I am some color, that I was born in some place during some day in some year. I think that is enough, is it? When people see me, they see a woman, a black woman, a Brazilian. Does this say something? Sincerely, I don't care much for it. I am Necia!

Pause for some coffee.

Being in this body is fighting against the sexist system. I am a cultural producer, photographer, cinematographer, I organize rap battles, I write graffiti when I want, - I am a woman. I've already heard that I knew nothing about rap, that carrying a tripod was too heavy for me, that doing graffiti (as a woman) was uncommon , and that weeding my garden could break my red nails. But who has the right to say what should or should not do? We are beyond what we want. Our desires are beyond . Our bodies are as well . And what I've been trying to do is shout it through my photography- be the street , bodies , landscapes , objects, of whatever. I just need. them. to. scream. 

(translated by Jessica Diaz)


Original Text in Portuguese:

Estou em um corpo entre tantos corpos. E sempre tenho a sensação que é preciso mais uma xícara de café. Como tudo na vida. Sempre acho que é preciso mais um corpo, mais um desejo, mais um querer. São meus boleros cotidianos.  No meu passaporte para o mundo, diz que eu sou de alguma cor, que nasci em algum lugar, durante algum dia de algum mês em algum ano. Acho que isso já é o suficiente! Será? Quando me olham, veem uma mulher, uma negra, uma brasileira. Mas será que isto diz alguma coisa, e se diz, o que será? Sinceramente...não me importa muito. Sou Necia!

Pausa para o café.

E estar neste corpo é lutar contra este sistema machista de produção. Sou produtora Cultural, fotógrafa, cinegrafista, organizo batalhas de rap, capino meu quintal quando é preciso, grafito quando eu quero, enfim...eu sou mulher! Já ouvi que eu não entendia nada de rap, que tripé era pesado para mim,  que grafiti não era comum, e que capinar meu quintal poderia quebrar minhas unhas vermelhas. Mas quem tem o direito de dizer o que devemos ou não fazer? Somos além do que queremos. Nossos desejos estão além. Nossos corpos são além. E o que eu venho tentando é gritar isto através das minhas foto.grafias, seja elas de rua, de corpos, de paisagens, de objetos, do que for. Só preciso que elas gritem.
 


More on Beatriz: 

Beatriz Machado is from the West Zone of Rio de Janeiro and never lets a good cup of coffee go to waste. She is also a producer on the team West Gong Sound System and art educator in the audiovisual field. They say she is a photographer too, because she has a camera in her hand most of the time. And when there is no camera in  her hand, she uses her eyes as as she believes that photography is far beyond mechanical means. She loves bodies and street. So she dedicates part of her photography to for cultural street movements because she believes in the importance of creating a cultural memory of the street. And when she's not on the street, she is photographing bodies in its various forms and contradictions.

From and based in Rio de Janeiro. 

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